"A Ong Makanudos mudou minha vida! Hoje sou outra pessoa!"
João da Silva - 14 anos
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Tradicionais palestras anti-drogas não funcionam
22/02/2012 - Mundo

As já tradicionais palestras sobre os danos das drogas à vida dos jovens são repletas de boas intenções, mas não funcionam. A afirmação é do psiquiatra Thiago Marques Fidalgo, membro do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em lugar delas, o especialista pede que escolas e professores fiquem abertos ao diálogo com os estudantes. "O fundamental é ter pessoas com vínculos afetivos ao lado do jovem para discutir, tirar dúvidas e conversar sobre o assunto", diz. "O professor sempre presente e aberto para o diálogo é muito mais efetivo do que o especialista e suas palestras." Confira a seguir os principais trechos da entrevista com o médico.

 

Existe um perfil do jovem que usa ou compra droga na escola?
Não podemos traçar um perfil específico desse tipo de jovem, mas sabemos que os chamados fatores de proteção envolvem qualidade de vida e saúde dos adolescentes. Isso significa dizer que praticar esportes, participar de um grupo religioso, ter um ambiente familiar estruturado, no qual há o apoio dos pais, e formar uma rede social bacana é fundamental para manter os jovens longe do uso abusivo de drogas. Na escola, ter educadores com quem os estudantes possam conversar abertamente também é muito importante para o fortalecimento dos fatores de proteção. Os jovens fora desse contexto, obviamente, estão mais inclinados ao uso de drogas.

 

É fato que a iniciação dos adolescentes no mundo das drogas se dá na escola?
Isso varia de acordo com a realidade de cada jovem. Em geral, o primeiro uso tende a se dar com os amigos e, nessa época, os amigos estão na escola. Por esse motivo, a escola tem papel central na prevenção do uso de drogas.

 

Quais são as facilidades para o uso no ambiente escolar?
É bom deixar claro que nem todo uso de drogas leva à dependência. Na maioria dos casos, os jovens querem o que é proibido, para testar seus limites, conhecer o corpo e suas reações e, mais do que isso, fazer parte de um grupo social. Como os jovens passam a maior parte do tempo na escola, seus amigos também são desse ambiente, e é com eles que vai se dar a primeira experiência com as drogas, na maioria dos casos. São os fatores de risco ou genéticos, porém, que determinam se o uso de drogas pode passar do estágio experimental para o problemático e dependente.

 

O que seria, então, o uso não problemático?
O uso de drogas pode se dividir em quatro padrões: experimental, quando se tem o primeiro contato com a substância química; ocasional, quando se faz uso da substância periodicamente; nocivo: quando a pessoa se expõe a situações de risco em consequência ao uso de droga; e dependente, quando a droga toma posição central na vida do usuário. A genética é um fator que conta muito na hora de avaliar a passagem do jovem pelos quatro padrões do uso de drogas, pois o metabolismo está intimamente ligado a como o organismo processa a droga. Obviamente, existem as substâncias com mais chances de dependência: a cocaína, o crack e a heroína, por exemplo. Mas ainda não é possível identificar qual adolescente vai perder o controle e chegar à dependência.

 

Quais são os métodos eficientes de prevenção do uso e venda de drogas nas escolas?
Conscientizar os estudantes sem necessariamente falar diretamente sobre drogas é uma das principais chaves para a prevenção. Além disso, incentivar a vida saudável, os cuidados com o corpo, a boa alimentação e a saúde bucal desde cedo contribuem para que a criança se torne um adolescente com consciência corporal e faz da escola um elemento confiável da rede social que está se criando em volta dela. As palestras com especialistas não funcionam, pois fornecer informação sobre os métodos de prevenção e riscos do uso abusivo das drogas não é mais o suficiente. O fundamental é ter pessoas com vínculos afetivos ao lado do jovem para discutir, tirar duvidas e conversar sobre o assunto. Na escola, o professor sempre presente e aberto para o diálogo é muito mais efetivo do que o especialista e suas palestras.

 

Como perceber que seu filho está envolvido com drogas enquanto está na escola?
Cada droga tem um efeito e isso pode ser diferente em cada organismo. Mas fique alerta para a mudança de comportamento e o desinteresse pela escola.

 

Como abordar o adolescente ao descobrir que ele está usando drogas?
O mais importante é a construção do diálogo em casa. Se a família oferece uma relação afetiva com o jovem, esse assunto vai surgir naturalmente. Caso haja suspeita do uso de drogas, vale conversar, questionar e fazer com que o jovem fale de seus problemas. Caso isso não aconteça, a mediação de um profissional - psiquiatra ou psicólogo - é fundamental. O segundo passo é procurar tratamento clínico, porque ninguém sai das drogas com força de vontade ou sozinho. Para isso, é necessário um trabalho em conjunto com o paciente, sua família e os profissionais envolvidos. Com o uso abusivo das drogas, o jovem perde sua rede social de confiança e o trabalho da recuperação é fazer com que ele a reconstrua de maneira saudável.

 

Fonte: Marina Dias - Veja Educação




Qual o melhor momento para falar sobre sexo com os filhos adolescentes?
13/02/2012 - Makanudos

 

Conversar sobre sexualidade com os filhos é um desafio do qual muitos pais não se sentem preparados a enfrentar. E a discussão foi tema do programa Vejam Só na noite de sexta-feira (10), que trouxe para o debate a coordenadora pedagógica do Centro Renovo de Educação, Cristiane Campos, e o diretor da ONG Makanudos de Javeh, Thiago Torres.

A educadora lembra como seus pais evitavam tratar diretamente do assunto com ela. “A minha mãe tinha um cuidado... a questão do sexo mesmo ela nunca falou” explica Cristiane sobre a sua formação, modelo que ela não procura seguir com seu filho, embora revele enfrentar algumas inseguranças e certo constrangimento. “Você não fica a vontade em falar”, confessa Cristiane em seu papel de mãe.  

 

Se para os pais, a dificuldade de falar sobre sexo se mantém há várias gerações, para os filhos, ocorre o caminho inverso: “Nossas crianças estão muito sexualizadas” analisa Thiago Torres, relembrando o caso recente da “pulseirinha do sexo”, moda que invadiu as escolas brasileiras há dois anos, com braceletes cujas cores significavam comportamentos eróticos diversos. E lidar com conceitos que pareciam atropelar as fases do crescimento de seus filhos nem sempre significava uma conversa franca e aberta: alguns pais achavam “engraçadinho” ver as crianças nessa brincadeira, sem transmitir uma orientação saudável sobre o que realmente é sexo.

 

Thiago reforça que trabalhar a sexualidade é primordial no combate ao abuso de crianças, conforme sua experiência à frente da Marcha Contra a Pedofilia, promovida pela ONG Makanudos de Javeh há três anos em São Paulo. Como mãe, Cristiane considera importante conscientizar seu filho do que ela chama de “preparação de que não me toquem”, educando a criança a respeitar e proteger seu próprio corpo.

 

“O tabu vem primeiro de cima, porque na verdade quem tem que abrir o jogo e quebrar o gelo, essa responsabilidade é do pai e da mãe” explica Thiago, lembrando que fora de casa, na mídia e na internet, sexo aparece de maneira explícita. A abordagem que deixa claro causa e efeito, analisando as conseqüências de ordem física e psicológica de uma relação sexual – ou seja, tratando de doenças sexualmente transmissíveis (DST), risco de gravidez, métodos anticoncepcionais, bem como uma compreensão do que seria um relacionamento saudável no aspecto emocional –, Thiago acredita ser a mais adequada para lidar com adolescentes, o que vem sendo aplicado nos projetos da Makanudos de Javeh.

 




O que pensam os nossos estudantes
09/02/2012 - Mundo

 

A cidade de São Paulo tem 2,1 milhões de estudantes matriculados nos ensinos fundamental e médio em mais de 5.000 escolas — são cerca de 600.000 em instituições particulares e aproximadamente 1,5 milhão na rede pública. Trata-se de um imenso contingente de adolescentes que voltam às aulas neste começo de fevereiro.

Para entender o que se passa na cabeça deles, VEJA SÃO PAULO realizou um levantamento inédito sobre seus hábitos, comportamentos e opiniões. Os dados foram apurados a partir de uma pesquisa com 300 entrevistas e quatro rodadas de debates com 32 alunos — metade do 9º ano do fundamental e metade do 3º ano do médio. Nos encontros, os jovens falaram livremente (com a garantia de que os autores das frases não seriam identificados) sobre os temas que mais mobilizam sua vida. Mostraram- se surpreendentemente conservadores a respeito de assuntos como sexo e drogas, contaram como usam o celular na escola (inclusive para passar cola via torpedo), reclamaram muito da qualidade do ensino e demonstraram uma enorme preocupação com o futuro profissional.

Confira a opinião dos jovens estudantes sobre diversos temas nas matérias relacionadas:

*Os alunos que participaram dos debates estão matriculados nas seguintes instituições de ensino: Colégio Franciscano Pio XII, Colégio Horizontes Uirapuru, Colégio Imperatriz Leopoldina, Colégio Madre Alix, Colégio Integrado Objetivo, Colégio Rio Branco, Colégio Santa Cruz, Colégio Santo Agostinho, Escola Estadual Adelaide Rosa Fernandes Machado de Souza, Escola Estadual Educador Paulo Freire, Escola Estadual Irmã Dulce, Escola Estadual Jardim Montesano, Escola Estadual Júlia Lopes de Almeida, Escola Estadual Professora Leda Felice Ferreira, Escola Fundação Bradesco, Escola Municipal CEU Três Lagos, Escola Municipal José Maria Lisboa, Escola Nossa Senhora das Graças, Etec Guaracy Silveira e Instituto Federal de São Paulo.

Fonte: Maurício Xavier (colaboraram Flora Monteiro e Nathalia Zaccaro) - Veja São Paulo




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